PREFÁCIO

 

    Este guia prático pretende colocar um ditame, no polemico, e até hoje pouco compreendido assunto de uniformidade. São várias teorias, e pontos de discordância e tolerância, nossa pretensão é conciliar um nível de conhecimento, tanto para o julgador, como para o julgado.

    Servindo como base para ambos, sem a pretensão de uma lei ou regulamento. A idéia surgiu na verificação de pontos de vista de vários jurados, confrontado-se com os julgados, em vários concursos nos quais estivemos presentes. Não somos os donos  da verdade, mas pretendemos com este guia esclarecer as partes interessadas,  constituir uma base sólida para elas.

 

HISTÓRICO

 

    Embora não seja considerada a primeira profissão do mundo, foi a primeira preocupação do ser humano, ao ser expulso do paraíso,  cobrir-se  com algo que ocultasse sua nudez.

    No decorrer dos anos e séculos,  esta profissão sofreu várias modificações pôr vários motivos, desde a matéria prima até  do próprio profissional, pois vieram  as tangas a princípio, depois as longas vestimentas. Mais tarde, sofreu influências dos metais, devido as guerras, com as armaduras, para proteger a cabeça e o tórax, causando na época uma verdadeira reviravolta na moda como podemos verificar em filmes e documentários.

    O ser humano sempre foi um pouco vaidoso, com o aspecto de superioridade, e a roupa sempre foi uma maneira de diferenciação de classes, tanto na superior, com seu alto poder aquisitivo, quanto nas classes inferiores sem poder quase nenhum. Ao clero, foi reservados os melhores profissionais, aos reis então era designado o melhor de todos o mais artista, poderíamos assim determinar, porque a profissão de Alfaiate já foi considerada arte. Foi no século XIV que mais houve transformações no estilo ao alto luxo das reuniões aristocratas do reinado Francês. Adiando um pouco a história verificamos que a revolução francesa, e a revolução industrial a vestimenta mudou-se completamente deixando de lado aquelas vestes, que só conseguimos ver hoje em dia em teatros, filmes e até no nosso carnaval, são os figurinos da época, que fazem lembrar tais fatos. A fase da alta costura no reinado francês foi tão importante que uma vez perguntado a Luiz XV, se ele não fosse o rei o que ele gostaria de ser, sua resposta de pronto e imediata, foi: GOSTARIA DE SER ALFAIATE DO REI. A França ao meu modo de ver, sempre ditou a moda até o final do século XIV, embora não possamos esquecer da influência dos Ingleses: Napoleão em determinada batalha, contra as tropas russas, mandou pregar nas túnicas dos seus subordinados, vários botões no punho, porque o frio congelante, estava causando uma epidemia de resfriados, e os soldados por não portarem lenços, limpavam o nariz nos punhos das túnicas. Após a virada do século, adentrando o século XX, percebe-se a influência inglesa, junto com os americanos, ainda mais com a vitória na primeira Guerra Mundial. A predominância foi acentuada mais ainda, nos uniformes militares. O consumismo, a falta de matéria prima, a falta de mão de obra, também foram fatores que ajudaram a transformar os estilos de vestimenta.

 

LEIS DAS LICITAÇÕES

 

    Com o surgimento da Lei das Licitações 8.666/93, acarretou um desmando a péssima qualidade, pelo menor preço, compra-se é bem verdade um similar de menor qualidade e talvez de menor duração. Será que vale a pena? O comprador ou o mantenedor terá a preocupação de comprar sempre o mais em conta, pois não caberá a ele sair para se apresentar ou representar sua cidade e corporação. Deparamos com uma triste realidade em nossos contatos comerciais, geralmente o Maestro interessado escolhe o melhor material em determinado catálogo, o qual nunca será escolhido pelo que irá efetuar o pagamento, pois o preço é bem superior. Somos sabedores das dificuldades impostas pela atual situação financeira, as quais acarretam um prejuízo de enorme valor qualificativo as corporações.

    A apresentação de uma corporação inicia-se com a sua postura antes da execução das obras musicais preteridas. Até um leigo no assunto haverá de comentar "aquela deve ser boa", o componente de tal corporação não haverá perturbação em seu anseio psíquico na hora da apresentação.

 

HARMONIA DO CONJUNTO

 

    É necessário observar com carinho a questão de bom gosto e harmonia, distribuição de cores, equilibrando de maneira sóbria, não poluindo o visual, um uniforme isolado causa em efeito, porem no conjunto será outro, cuidado para não torna-lo agressivo, há necessidade de se formar um conjunto com harmonia no todo. Nunca devemos extrapolar gostos pessoais de maneira indelicada, preserve a tradição cultural, das raízes que acercam as Bandas e Fanfarras ao longo da história.

 

CORES

 

    Muito cuidado, na distribuição das cores do seu uniforme, não pretendemos ditar regras, nem padrão, sempre será uma determinação influenciada do seu Município, Patrono ou Mantenedor, na escolha das cores. A elaboração e distribuição destas, acarretará um visual adequado.

TECIDO

 

    Verifique a escolha do tecido, adaptando-o ao clima que mais se torne confortável ao aluno que deverá usá-lo, não acarretando incomodo que poderiam ser evitados. Não usar tecidos que desbotem ao serem lavados, galões que soltem tintura, ou encolhem, peças que se faça um teste ao seu fabricante.

 

CONFECÇÃO DO UNIFORME

 

    Escolha um fabricante de uniforme que lhe ofereça o melhor possível, desde o melhor tecido, galão, botão, franja e todo material que for utilizado, verifique o caimento, os enchimentos desde a entretela, forros e ombreiras, é fundamental solicitar um piloto para a verificação do mesmo, sua estrutura e elegância. A qualidade do seu uniforme sempre será o ponto alto em todas as apresentações futuras.

    Não compre camisa com galão, pensando ser túnica.

 

ESTILOS

 

    São vários estilos que predominam no setor, desde os tradicionais figurinos de épocas, estilos franceses, ingleses, italianos, espanhóis, portugueses e americanos, seguindo a tradição dos grandes Imperadores e dos grandes Exércitos, predominantes ao longo da historia, porém não devemos escolher como exemplo um modelo próprio da Sibéria para ser usado em um clima quente. Solicite a um designer do ramo que saberá dar equilíbrio da beleza e praticidade. Ele se valerá dos conhecimentos do dia a dia, bem como da área estética, a Ergonomia (adaptação das várias partes do corpo aos objetos). OBS.: Designer, na verdade é uma variação da palavra inglesa design, que significa conceder, projetar, criar, inventar e não somente desenhar. Digo isso aos que procuram desenhar sem ter a mínima noção de costura, pois ao papel tudo será aceito.

 

REGULAMENTO DOS CONCURSOS

 

Aspecto Apresentação:

    Uniformidade e Instrumental: será avaliada a uniformidade, propriamente dita, da indumentária no conjunto e nos detalhes, tais como: calças, túnicas, cintos, talabartes bem cuidados e ajustados, calçados, botas ou polainas (quando houver), uniformemente iguais e bem cuidados. No instrumental serão avaliados a disposição e conservação dos mesmos (extraído do regulamento publicado no Jornal Bandas e Fanfarras do Brasil, referente ao VIII Campeonato Estadual de Bandas e Fanfarras do ano de 1996). Partindo do ponto de vista do regulamento apresentado ao senhores Maestros, Regentes, Instrutores, ou dirigentes, nota-se a falta de um maior esclarecimento ao regulamento acima descrito.

 

TAMANHO

 

Será de acordo com o corpo do componente, ou do seu manequim.

 

 

TÚNICA TIPO P.M.  

 

A Túnica poderá ser do modelo aberta tradicional das forças militares ou de passeio, usadas em vários países, deverá ter platina fixada ou platina de veludo sobrepostas, bolsos chapeados com portinholas, punho nas mangas, e quatro botões para fechamento frontal. A gola será deitada tipo paletó, O caseado dos botões grandes ficam no sentido horizontal. Este uniforme é de preferência usado nas bandas Musicais e Militares. Uniforme usado com camisa social e gravata longa social. Deverá ser confeccionado em tergal gabardine ou panamá.

 

DOLMAN C/GOLA EM PÉ

 

    A túnica deverá iniciar na altura da nuca, até a dobra das nádegas, ou que a palma das mãos possam toca-las no final. A gola poderá ser em pé, popularmente conhecida como gola de padre bem fechada ou abotoada, nunca alcançando o pomo de Adão, que dificultará um bom desempenho musical. A divisão dos botões da túnica tem um critério, geralmente estes não devem ultrapassar abaixo da gola 1 cm do diâmetro até altura do umbigo o comprimento da manga devera ser de aproximadamente 1 cm, abaixo do ossinho do punho. Geralmente são julgados os componentes na posição de sentido, mão importando-se qual instrumento conduzido, ressalvando o aspecto de garbo e instrumental. O abotoa- mento da túnica deverá estar completo, nunca será permitido a componente sejam quais forem climá- ticos a falta de observância deste item. A túnica deverá estar bem, passada á ferro, limpo, e seu estado de conservação será comparada com as demais, tanto na qualidade de tecido e enfeites, o que se tem em uma unidade deverá constar nas demais. A beleza ou a riqueza da túnica não estará em julgamento mas a postura ou elegância do seu portador será de altíssima relevância. O cinto que geralmente são usados em túnicas, tem o seu lugar respectivo, nunca deverá estar abaixo da altura do umbigo, nem com sua regulágem afrouxada. As Dragonas se pôr ventura forem anexadas nas túnicas deverão ser observadas sua postura, não deverão ultrapassar as pontas do ombro, dando a impressão que foram mal colocadas. Talabartes e sobrepostos deverão ser observados tais como o cinto.

 

CALÇAS

 

    Existem modelos que não devem ser usados em Bandas e Fanfarras, citamos como exemplo calças com pregas, boca de sino, jeans, UNIFORMIDADE NÃO É DESFILE DE MODA, a calça deverá ser de tergal gabardine ou panamá, conter zíper de nylon aos que preferem ou abotoamento com botões de massa a quem preferir, o cós deverá ser no máximo de 4,5 cm com passadores para uso de cintos, para um bom posicionamento de altura na cintura, nunca deixar que a calça fique caída mal posicionada a faixa lateral deverá ser de preferência com os mesmos galões usados na túnica, ela não será obrigatória, mas evitará que esta calça seja usada em outra finalidade. Cuecas estampadas e de listras coloridas devem ser evitadas principalmente quando esta calça for branca, mesma observância quanto as camisetas de campanhas políticas ou de propaganda abaixo das túnicas normalmente usadas pôr vários componentes, deixando transparecer, letras e logotipos nas túnicas de cor clara, a gola da camiseta nunca deverá aparecer na gola da túnica. O comprimento da calça deverá cobrir 2/3 do calçado.

 

MEIAS

 

    Deverão ser iguais tanto na qualidade de tecido, cor, e posicionamento.

 

LUVAS

 

    Mesmo critério.

 

SAPATOS

 

    Par de sapatos, meias botas, coturnos, botas de cano alto, serão da mesma cor, qualidade, formato, solado, marca, bem conservados, engraxados e limpos.

 

BARRETINAS, QUEPES, PARQUETINAS E BOINAS

 

    Deverá ser condescendente com o uniforme escolhido, seguindo as cores, do uniforme.

    O posicionamento da Barretina, Quepes, Parquetina ou Boina, deverão ser os mesmos em todos os componentes. Não adiantaria usar uma barretina nem que fosse de ouro e de diamantes, com uma posição errada, não obterá uma boa nota em uniformidade.

 

BANDAS MUSICAIS DE CONCERTO

 

    Quando usarem uniformes de estilo clássico, ternos smoking, deverão observar o posicionamento das gravatas e do colarinho das camisas.

 

LINHA DE FRENTE

 

    Mesmos critérios do corpo musical, lembrando ainda que as cores poderão ser inversas, porém deveram obedecer o padrão da corporação. O modelo não será precisamente igual ao corpo musical, podendo ser de outro estilo, mas dará uma certa semelhança de mesma corporação em um todo.

 

BALIZA E MÓR

 

    Seguiram com seus uniformes característicos, sempre obedecendo, padrão, cor da corporação.

 

NÃO É PERMITIDO

 

    O componente nunca deverá levar nos bolsos quando houverem, lanches e outros pertences que acarretem volumes. Nunca usar, óculos escuros, tipo rayban ou similar, relógio no pulso, brincos de orelhas, a não ser que toda a corporação também esteja usando.

 

OBRIGATÓRIO

 

    Uso de um estandarte, com no mínimo o nome, dando a identificação da corporação.

    Bandeira Nacional com sua respectiva Guarda de Honra.

 

 

 

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